"No rescaldo das noites e dos dias
volvidos desde esse então
sou hoje menos do que era
o regaço confiado de ti mãe
que cedo se vestiu de primavera
viajando um universo sem ter fim.

 

Sem dizer um só adeus
sem um aceno em jeito de elegia
- um lenço branco no ar-

 

Sem dizer sequer aos seus
porque fora embora, porque partia
sabendo que não mais ía voltar…

 

….ficaram as mãos cheias de saudades
as histórias contadas de lembranças
a beleza crua das verdades
doutros meus tempos de criança.

 

Ficou esse sabor a frio na memória
o amargo vazio duma ausência
ficou a palavra amiga, o meio de uma história
ficou esse ombro jovem de inocência.

 

Afinal, tudo ficou que podia ter ficado
o cheiro forte ao gosto das vitórias
os olhos cor de mel enamorada

 

..o choro em meu peito dos fracassos
até o corpo inerte soterrado
nos ossos de um fato que era nu.

 

Não faltam beijos, nem risos, nem abraços
conversas ao relento
-lado a lado-
afinal de ti tudo ficou….
só faltas tu mãe"

Por: Eterea


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